Panorama do Oscar Internacional 2027: 93 filmes na disputa e 21 títulos na Mostra SP
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood recebeu 93 longas-metragens habilitados à categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar 2027 (serão 94 com o vencedor do Festival de Busan). A cerimônia da 99ª edição está marcada para 14 de março de 2027. A maior parte das produções chegou por indicação das academias nacionais. Uma parcela menor, porém relevante, conquistou vaga por meio de seis festivais: Cannes, Veneza, Berlim, Sundance, Toronto e Busan.
Vinte e um desses títulos serão exibidos na 50ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, de 14 a 29 de outubro, em múltiplas salas da cidade. Entre eles estão alguns dos nomes mais cotados da temporada.
Os pesos-pesados na Mostra SP
“Fjord”, do romeno Cristian Mungiu (Palma de Ouro em Cannes), chega com indicação oficial da Romênia e status de favorito. O drama social, que confronta religiosos conservadores e forças progressistas, tem Renate Reinsve no elenco e é apontado por analistas como sério candidato até à lista dos dez melhores filmes da Academia.
A França indicou “Minotauro”, do russo Andrey Zvyagintsev, pelo segundo ano consecutivo apostando em um cineasta estrangeiro e em um filme falado em outro idioma. A escolha repete a estratégia de 2025, quando o país enviou “Foi Apenas um Acidente”, de Jafar Panahi.
Outros dois títulos que geraram forte repercussão em festivais também estarão em São Paulo: “A Terra do meu Pai”, do polonês Pawel Pawlikowski, e “A Mulher Desconhecida”, da dinamarquesa May el-Toukhy (Leão de Ouro em Veneza). O primeiro traz Sandra Hüller e Hans Zischler em uma história centrada em Thomas Mann. O segundo é o único filme dirigido exclusivamente por uma mulher entre os grandes concorrentes ao principal prêmio de Veneza.
“Amor Possível”, de Lee Chang-dong (Leão de Prata em Veneza), completa o grupo de títulos com maior cacife entre os programados pela Mostra.
“A Terra do meu Pai”, de Pawel Pawlikowski
O fenômeno espanhol e a ausência notável
Fora da Mostra SP, o espanhol “A Bola Negra”, de Javier Calvo e Javier Ambrossi (Los Javis), desponta como um dos favoritos absolutos. O filme estreou no Festival do Rio e, por isso, ficou de fora da programação paulistana, que prioriza estreias nacionais. Em dez dias de exibição na Espanha, acumulou 2 milhões de espectadores. No Termômetro do Oscar, ocupa a terceira posição geral, atrás apenas de “A Odisseia”, de Christopher Nolan, e “Duna: Parte 3”, de Denis Villeneuve, e à frente de “Fjord” e “A Terra do meu Pai”.
A produção queer, que dialoga com a obra de Federico García Lorca, é vista por muitos como capaz de repetir feitos raros como os de “O Artista” (2012) e “Parasita” (2020), que venceram a categoria principal além da internacional.
Brasil e América Latina
O representante brasileiro é “Feito Pipa”, de Allan Deberton. O drama estreou na Berlinale (seção Generation Kplus), onde levou o Urso de Cristal e o prêmio do júri internacional. Depois de dois anos de forte presença brasileira com “Ainda Estou Aqui” e “O Agente Secreto”, as expectativas para 2027 são mais modestas diante da concorrência europeia e asiática.
Entre os latino-americanos programados pela Mostra estão “Quem Matou Narciso?”, de Marcelo Martinessi (Paraguai), e “A Morte Não Tem Dono”, de Jorge Thielen (Venezuela). Martinessi já havia colocado o cinema paraguaio no mapa com “As Herdeiras”.

“A Mulher Desconhecida”, de May el-Toukhy
Calendário e listas
A shortlist dos 15 semifinalistas será anunciada em 15 de dezembro. Os cinco finalistas saem em 21 de janeiro de 2027.
Filmes pré-candidatos programados pela Mostra SP:
“Fjord” (Romênia), “Minotauro” (França), “A Terra do meu Pai” (Polônia), “A Mulher Desconhecida” (Dinamarca), “Amor Possível” (Coreia do Sul), “Evertime” (Alemanha), “Como se Divorciar Durante a Guerra” (Lituânia), “O Sentido da Vida” (Japão), “Vergonha e Dinheiro” (Albânia/Sundance), “Feito Pipa” (Brasil), “Quem Matou Narciso?” (Paraguai), “Elefantes da Névoa” (Nepal), “Furies” (Líbano), “Roqia” (Argélia), “A Aventura Sonhada” (Bulgária), “Não me Largue” (Chipre), “Filipiñana” (Filipinas), “17” (Macedônia do Norte), “A Morte Não Tem Dono” (Venezuela), “Variações Sobre um Tema” (África do Sul) e “Na Terra de Arto” (Armênia).
A lista completa dos 93 títulos inclui ainda “A Bola Negra” (Espanha), os dois representantes da Turquia e da Índia, “Covarde” (Bélgica), “Rose” (Áustria) e dezenas de outras produções da Europa, Ásia, América Latina e África.
A temporada internacional do Oscar 2027 começa a tomar forma com um leque amplo e competitivo — e a Mostra SP oferece a chance de ver boa parte dele em primeira mão.
Listas de Filmes Pré-Candidatos
PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR (programados pela Mostra SP):
- “Fjord”, de Cristian Mungiu (Romênia)
- “Minotauro”, de Andrey Zvyagintsev (França)
- “A Terra do meu Pai”, de Pawel Pawlikowski (Polônia)
- “A Mulher Desconhecida”, de May el-Toukhy (Dinamarca)
- “Amor Possível”, de Lee Chang-dong (Coreia do Sul)
- “Evertime”, de Sandra Wolner (Alemanha)
- “Como se Divorciar Durante a Guerra”, de Andrius Blasevicius (Lituânia)
- “O Sentido da Vida”, de Ryusuke Hamaguchi (Japão)
- “Vergonha e Dinheiro”, de Visar Morina (falado em albanês, premiado pelo Sundance Festival)
- “Feito Pipa”, de Allan Deberton (Brasil)
- “Quem Matou Narciso?”, de Marcelo Martinessi (Paraguai)
- “Elefantes da Névoa”, de Abinash Bikran Shah (Nepal)
- “Furies”, de Rami Kodeih (Líbano)
- “Roqia”, de Yanis Koussin (Argélia)
- “A Aventura Sonhada”, de Valeska Grisebach (Bulgária)
- “Não me Largue”, de Myrsini Aristidou (Chipre)
- “Filipiñana”, de Rafael Manuel (Filipinas)
- “17”, de Kosara Mitic (Macedônia do Norte)
- “A Morte Não Tem Dono”, de Jorge Thielen (Venezuela)
- “Variações Sobre um Tema”, de Jason Jacobs e Devon Delmar (África do Sul)
- “Na Terra de Arto”, de Tamara Stepanyan (Armênia)
OS OUTROS PRÉ-CANDIDATOS AO OSCAR:
- “A Bola Negra”, de Javier Calvo e Javier Ambrósi (Espanha)
- “Como uma Árvore sem Galhos”, de Tunç Davut (Turquia)
- “Cartas Amarelas”, de Ilker Çatak (Turquia-Alemanha, indicado por prêmio no Festival de Berlim)
- “Angh”, de Theja Rio (Índia – indicado por prêmio no Festival de Toronto, Canadá)
- “Gondhal”, de Santosh Davakhar (Índia)
- “Covarde”, de Lukas Dhont (Bélgica)
- “Amigo Silencioso”, de Ildikó Enyedi (Hungria)
- “Cidadão Osama”, de Ahmed Hassouna (Palestina)
- “A Espiral”, de Paolo Strippoli (Itália)
- “A Memória do Cheiro das Coisas”, de António Ferreira (Portugal)
- “Crescimento do Solo”, de Hans Peter Molland (Noruega)
- “Quatro Estações em Java”, de Kamila Andini (Indonésia)
- “Nossa Erika”, de Golub (Estônia)
- “Guria”, de Levan Koguashvili (Geórgia)
- “Filhos da Noite Neon”, de Juno Mak (Hong Kong)
- “O Esquilo”, de Markus Lehmusruusu (Finlândia)
- “Veia Rompida”, de Yannis Economides (Grécia)
- “Terra dos Anjos”, de Babak Khajehpasha (Irã)
- “Nina Roza”, de Geneviève Dulude de Celles (Canadá)
- “Sob Nossos Pés”, de Irsa Roca Fannberg (Islândia)
- “Deus Não Ajudará”, de Hana Jusic (Croácia)
- “Se os Pombos se Transformassem em Ouro”, de Pepa Lubojacki (República Tcheca)
- “Para Segurar uma Montanha”, de Biljana Tutorov e Petar Glomázic (Montenegro)
- “Pia”, de Zain Duraie (Jordânia)
- “Abel”, de Elzat Eskendir (Cazaquistão)
- “Não Há Paraíso se Você For Morto por uma Mulher”, de Halkawt Mustafa (Iraque)
- “Conte-me Tudo”, de Moshe Rosenthal (Israel)
- “Tornando-se Humano”, de Polônia Ly (Cambodja)
- “Aontas”, de Damian McCann (Irlanda)
- “Um Conto Nebuloso”, de Chen Yu-hsun (Taiwan)
- “Supervisão de Adultos”, de Alex Schulman (Suécia)
- “9 Templos para o Céu”, de Sompot Chidgasornpongse (Tailândia)
- “O Viúvo”, de Hari Secic (Bósnia e Herzegovina)
- “Primeira Luz”, de James J. Robinson (Austrália, falado em filipino)
- “Rose”, de Markus Schleinzer (Áustria)
- “Desejo de Viajar”, de Nenad Pavlovic (Sérvia)
- “Somos Todos Estranhos”, de Antony Chen (Cingapura)
- “Inundação”, de Martin Gonda (Eslováquia)
- “Roid”, de Meibaur Rahman Sumon (Bangladesh)
- “Um Filme Estatal”, de Rolando Seijko (Albânia)
- “O Rei Raposa”, Woo Ming Jin (Malásia)
- “Criança”, de Cyrus Neshvad (Luxemburgo)
- “Paikar”, de Dawood Hilmandi (Holanda)
- “Fantasia”, de Kukla (Eslovênia)
- “Ulya”, de Viesturs Kairiss (Letônia)
- “Cassandra”, de Bekzat Primatov (Quirguistão)
- “Dua”, de Blerta Basholli (Kosovo)
- “Zejtune”, de Alex Camilleri (Malta)
- “Independência; Guardião da Profecia”, de Tamir Bat-Ultzi (Mongólia)
- “Quem Ainda Está Vivo”, de Nicolas Wadimoff (Suíça)
- “Riverstone”, de Lalith Rathanayake (Sri Lanka)
- “Vestígios”, de Alisa Kovalenko (Ucrânia)
- “Guardiões Espirituais: Último Segredo do Primeiro Imperador”, de Nguen Phan Quang Binh (Vietnã)
INSCRITOS PELA AMÉRICA LATINA:
- “Na Estrada”, de David Pablos (México-AL)
- “A Virgem do Lago da Pedreira”, de Laura Casabé (Argentina-AL)
- “O Colapso”, de Manuela Martelli (Chile-AL)
- “Um Cabo Solto”, de Daniel Hendler (Uruguai-AL)
- “Chuvas Sobre Babel”, de Gala do Sol (Colômbia-AL)
- “Malecón”, de Carlos Larrazabal (Cuba-AL)
- “A Hera”, de Ana Cristina Barragán (Equador)
- “Se Não Queimarmos, Como Iluminaremos a Noite?”, de Kim Torres (Costa Rica-AL)
- “Melodrama”, de Andrés Farias (República Dominicana-AL)
- “A Noite Chegou”, de Paolo Tizón (Peru-AL)
- “Vértices”, de Arturo López Roda (El Salvador – AL)
- “Chichero”, de Aaron Bromley e Arturo Montenegro (Panamá-AL)
- “A Filha do Condor”, de Alvaro Olmos Torrico (Bolívia-AL)
INSCRITOS PELA ÁFRICA:
- “Dear Ajayi”, de Damilola Orimogunje (Nigéria-África)
- “Uma Mulher, um Sutiã”, de Vincho Nchogu (Quênia, África)
- “Mabanda”, de Kang Kintus (Camarões, África)
- “As Histórias”, de Abu Kakr Shawky (Egito-África)
- “Soumsoum, a Noite das Estrelas”, de Mahat-Saleh Haroun (Chade, África)
- “O Anexo”, de Mamadou Khouma Gueye (Senegal-África)
- “Morangos”, de Laila Marrakchi (Marrocos-África)
