O terror contemporâneo vive um momento fantástico de renovação. Filmes como Corrente do Mal e Noites Brutais já provaram que o gênero não precisa de fórmulas prontas para incomodar. É exatamente nessa prateleira de respeito que “Obsessão” (Obsession), dirigido por Curry Barker, se consolida como uma das estreias mais perturbadoras do ano.
Aqui, o diretor faz o simples virar aterrorizante. E a pergunta que fica para os nossos leitores é: você tem coragem de ver até onde um desejo pode te levar?
Cuidado com o que você deseja…
A premissa é direta e pega o espectador pelo estômago. Bear (Michael Johnston) é um jovem desesperadamente apaixonado por sua melhor amiga, Nikki (Inde Navarrette). Ao encontrar um objeto místico chamado One Wish Willow, capaz de realizar um único pedido, ele faz o que qualquer romântico bobo faria: pede que Nikki o ame mais do que tudo no mundo.
O desejo é realizado. Mas o amor absoluto que Bear tanto queria rapidamente se transforma em algo sufocante, invasivo e profundamente doentio.
O desconforto em ‘Obsessão’ não vem de monstros ou sustos fáceis. A tensão surge de um simples jantar a dois ou de um olhar fixo na madrugada.
Uma atuação que define uma geração

Se há um motivo obrigatório para correr para o cinema, esse motivo se chama Inde Navarrette. Conhecida por Superman & Lois, a atriz entrega aqui uma performance que já a coloca no topo das grandes scream queens da década.
Sua transição da doçura para uma intensidade física assustadora retrata com perfeição a agonia de uma mente que perdeu o domínio sobre si mesma. Ela consegue fazer você sentir pena e pavor ao mesmo tempo. Michael Johnston também sustenta muito bem o peso de Bear, um protagonista que carrega a culpa esmagadora de ter causado o próprio inferno.
O “X” da Questão (Com Spoilers Leves)
Se o filme brilha na atmosfera densa construída por Barker — usando luzes e silêncios em vez de jump scares mecânicos —, o roteiro flerta com um terreno perigoso. Ao colocar a mulher como o vetor do horror e a figura perturbada da trama, o longa cai em um clichê antigo do cinema. O contexto sobrenatural justifica a virada de Nikki, mas fica a reflexão sobre a escolha desse papel para a figura feminina.
Mesmo assim, os personagens secundários funcionam como um excelente espelho para o público, mostrando que quem está vivendo um relacionamento tóxico e obsessivo raramente consegue enxergar os próprios limites.

Obsessão Vale o Ingresso?
Com certeza. Obsessão é um soco no estômago disfarçado de drama romântico. É uma reflexão visceral sobre posse, desejo e as consequências de tentar controlar o sentimento de alguém. Prepare-se para sair do cinema olhando torto para qualquer demonstração exagerada de afeto.
Nota: 9 / 10
E aí, tem coragem? O que você faria se tivesse o poder do One Wish Willow? Deixe seu comentário aqui embaixo e participe do debate!
