Tem coragem Não Notícias,Prime Vídeo,Séries,Séries e TV Carrie, de Mike Flanagan, esconde easter egg de A Torre Negra que só fãs hardcore de Stephen King perceberam

A nova adaptação de Carrie dirigida por Mike Flanagan estreou no Prime Video e já divide opiniões. Enquanto mantém a essência do clássico de Stephen King sobre a jovem telecinética que transforma o ensino médio em um inferno, a série promove mudanças significativas na caracterização de vários personagens — especialmente as algozes de Carrie e sua mãe — e expande os poderes da protagonista de forma inédita. O resultado é uma história ainda reconhecível como Carrie (incluindo elementos epistolares do livro original pouco explorados em versões anteriores), mas marcada pelo estilo característico de Flanagan.

O mais interessante, no entanto, é como a produção já prepara o terreno para uma possível segunda temporada. Flanagan, que há anos tenta viabilizar seu projeto dos sonhos — a adaptação da saga A Torre Negra —, aproveita a série para semear conexões com o universo maior de King.

O easter egg de LaMerk Industries

A referência aparece logo no primeiro episódio. Em uma cena que acompanha o pai de Carrie em seu local de trabalho, um canteiro de obras onde ele mais tarde morre, é possível ver ao fundo uma placa identificando o empreendimento como um projeto da LaMerk Industries.

Fãs dedicados de A Torre Negra reconhecem imediatamente o nome. Nos livros, a LaMerk é uma empresa metalúrgica aliada ao Rei Carmesim em sua tentativa de derrubar a Torre. Embora nas obras originais a companhia esteja mais ligada à criação de robôs, em Carrie ela aparece associada a empreendimentos imobiliários — um detalhe sutil, mas deliberado.

Há ainda um segundo aceno à saga. Em um episódio posterior, Billy Nolan aparece alimentando seu animal de estimação e, por um breve instante, é possível notar uma tatuagem em seu braço que se assemelha bastante ao símbolo do Olho do Rei Carmesim.

O início de um universo televisivo de Stephen King?

Flanagan enfrenta há tempos dificuldades para avançar com A Torre Negra por conta da complexa teia de direitos autorais envolvendo as diversas propriedades de Stephen King. Enquanto essas questões não são resolvidas, o diretor parece estar construindo, com o que tem à disposição, as bases de um universo conectado.

O final da primeira temporada de Carrie abre espaço para um mundo maior focado em personagens com poderes psíquicos — tema recorrente na obra de King. Seria poético que a adaptação do primeiro livro publicado pelo autor se tornasse o ponto de partida de uma teia narrativa maior. E isso não precisaria interferir no eventual projeto de A Torre Negra: Flanagan poderia simplesmente adaptar outros romances que dialoguem com as ideias introduzidas em Carrie, tecendo conexões gradativas — no mesmo espírito de Welcome to Derry, que liga It a O Iluminado sem contradizer nenhuma das obras originais.

Com Carrie, Flanagan não apenas reinterpreta um clássico do horror. Ele planta, com cuidado, as sementes de algo potencialmente muito maior.

emanoel.pereira

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