Se você saiu do cinema traumatizado com a virada psicótica de Nikki após o pedido de Bear em “Obsessão”, temos uma péssima notícia: o cinema de terror está cheio de relacionamentos que dão terrivelmente errado.
Quando o amor se transforma em obsessão, dependência ou possessão literal, o resultado costuma ser sangrento. Esqueça os fantasmas e os assassinos mascarados; na lista de hoje, o verdadeiro perigo dorme na cama ao lado. Você tem coragem de encarar esses casais?
1. Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019)
Onde o término de namoro vira um ritual pagão.

- A Sinopse Completa: Dani (Florence Pugh) está vivendo o pior momento de sua vida após uma tragédia familiar brutal. Para piorar, seu namoro com Christian (Jack Reynor) está respirando por aparelhos — ele claramente quer terminar, mas não tem coragem de abandoná-la nesse estado. Christian decide viajar com seus amigos para um festival de verão isolado em uma comunidade na Suécia profunda. Dani vai junto. O que começa como uma viagem antropológica idílica sob o sol da meia-noite gradualmente se transforma em um pesadelo de rituais pagãos, sacrifícios humanos e manipulação psicológica.
- A Crítica Tem Coragem Não?: Ari Aster dirigiu um filme de terror em plena luz do dia, mas o que realmente assusta aqui não são as vísceras expostas. É a codependência. Christian é o clássico namorado negligente e covarde, enquanto Dani se anula para caber em uma relação falida. O festival sueco serve apenas como um catalisador bizarro para que Dani finalmente encontre sua própria voz (e sua nova “família”), culminando em um dos sorrisos finais mais catárticos e perturbadores do cinema recente.
2. Possession (1981)
A metáfora definitiva do divórcio destrutivo.

- A Sinopse Completa: Mark (Sam Neill) retorna de uma missão de espionagem secreta para sua casa em Berlim Ocidental e descobre que sua esposa, Anna (Isabelle Adjani), quer o divórcio. Ela recusa dar explicações e nega que haja outro homem. Conforme a separação avança, o comportamento de Anna se torna cada vez mais errático, autodestrutivo e violento. Mark decide contratar um detetive particular para segui-la e descobre que Anna mantém um apartamento decadente e escondido. Lá dentro, ela não está escondendo um amante humano, mas sim uma criatura monstruosa e tentacular nascida de suas próprias frustrações e traumas ocultos.
- A Crítica Tem Coragem Não?: Dirigido por Andrzej Żuławski durante o seu próprio divórcio conturbado, Possession é um soco no estômago de pura intensidade física e psicológica. A atuação de Isabelle Adjani (que lhe rendeu o prêmio em Cannes) é lendária, com destaque para a famosa e perturbadora cena do surto no metrô. O filme transforma a dor, a culpa e a repulsa de um término de relacionamento em um horror corporal grotesco. É uma obra-prima visceral e profundamente desconfortável de assistir.
3. Audition (1999)
O perigo de tentar moldar a “mulher perfeita”.

- A Sinopse Completa: Shigeharu Aoyama (Ryo Ishibashi) é um viúvo de meia-idade que decide, após anos de solidão, que é hora de encontrar uma nova esposa. Para ajudá-lo, um amigo produtor de cinema organiza uma audição de elenco falsa para um filme inexistente, permitindo que Aoyama entreviste várias jovens sob o pretexto de um papel. Ele fica imediatamente fascinado por Asami Yamazaki (Eihi Shiina), uma jovem tímida, delicada e com um passado na dança clássica. Aoyama acredita ter encontrado a esposa ideal, submissa e pura. No entanto, conforme ele tenta se aproximar, Asami revela um passado traumático e uma personalidade sádica e possessiva que transforma a busca pelo amor em um pesadelo de tortura física extrema.
- A Crítica Tem Coragem Não?: O mestre Takashi Miike faz um jogo brilhante com as expectativas do público. Na primeira metade, o filme se passa como um drama romântico comum, até um pouco lento. Mas quando a virada acontece, ela vem com a força de um trem. Audition critica diretamente a visão patriarcal que tenta moldar e objetificar as mulheres. A doce Asami se transforma em uma das figuras mais aterrorizantes do cinema japonês, e o clímax do filme é tão doloroso que vai fazer você desviar o olhar da tela.
4. Atração Fatal (1987)
O thriller clássico que transformou a traição em caso de vida ou morte.

- A Sinopse Completa: Dan Gallagher (Michael Douglas) é um advogado de Nova York bem-sucedido e feliz no casamento. Quando sua esposa e filha viajam no fim de semana, ele conhece Alex Forrest (Glenn Close), uma editora de livros independente e sedutora. O que deveria ser apenas uma noite de paixão casual e sem compromissos se transforma em um pesadelo quando Alex se recusa a aceitar o fim do caso. Ela começa a perseguir Dan em seu trabalho, liga para sua casa de madrugada e passa a ameaçar sua família de forma cada vez mais agressiva e instável, disposta a destruir a vida do advogado para tê-lo apenas para si.
- A Crítica Tem Coragem Não?: Esse é o pai de todos os suspenses de perseguição amorosa moderna. Glenn Close entrega uma atuação brilhante (e injustiçada na época) como Alex Forrest, criando uma vilã icônica que consegue transitar entre a vulnerabilidade desesperada e a psicopatia pura. Embora o roteiro da época coloque Alex puramente como o “monstro” a ser destruído, uma revisão crítica atual mostra como o filme trabalha o medo da destruição do núcleo familiar tradicional por conta de uma atitude inconsequente. A famosa cena do painel do fogão entrou para a história da cultura pop.
E aí, sobrou coragem? Qual desses relacionamentos te deu mais agonia nas telas? Sentiu falta de algum casal problemático (como em Garota Exemplar)? Deixe seu comentário e compartilhe com aquele seu amigo que está precisando de um choque de realidade no namoro!
