Tem coragem Não Críticas,Críticas de Filmes,Destaques Slider,Filme em Destaque Devoradores de Estrelas | Crítica: ficção científica com Ryan Gosling tem grande premissa, mas desperdiça seu potencial

Ficção científica com grande premissa acaba apostando em caminhos previsíveis

A premissa de Devoradores de Estrelas é daquelas que imediatamente despertam curiosidade. Um cientista acorda sozinho em uma nave espacial a anos-luz da Terra e precisa descobrir como salvar o Sol antes que a vida no planeta desapareça. É o tipo de ideia que parece perfeita para uma grande aventura de ficção científica.

O problema é que o filme raramente confia nessa própria premissa.

Em vez de explorar plenamente o mistério e construir uma experiência realmente intrigante, a adaptação prefere seguir caminhos mais seguros, apostando no carisma de Ryan Gosling, em humor leve e em momentos emocionais cuidadosamente calculados para conquistar o público.

Na história, Gosling interpreta Ryland Grace, um professor de ciências que desperta desorientado dentro de uma nave espacial após anos em estado de hibernação. Sem memória de quem é ou de como chegou ali, ele começa a reconstruir aos poucos sua identidade e, principalmente, a missão que o levou até aquele ponto do universo.

A Terra enfrenta uma ameaça silenciosa: uma forma de vida microscópica está consumindo a energia do Sol. Se nada for feito, o planeta entrará em um processo de resfriamento capaz de extinguir grande parte da vida.

A única pista para resolver o problema está em um sistema estelar distante que aparentemente permanece imune ao fenômeno. Enquanto tenta entender os equipamentos ao seu redor e recuperar fragmentos do passado, Ryland descobre que talvez não esteja completamente sozinho nessa jornada.

A amizade que move a história

É nesse momento que o filme encontra seu eixo emocional. A relação que surge entre Ryland e o alienígena Rocky passa a conduzir boa parte da narrativa.

A dinâmica entre os dois funciona em alguns momentos. Há cenas simpáticas e até divertidas, impulsionadas principalmente pela performance de Gosling. Ainda assim, o roteiro insiste em sublinhar constantemente essa amizade com gestos e situações que parecem desenhadas para arrancar reação imediata do público.

Em vez de deixar que a relação se construa de forma orgânica a partir da situação extraordinária em que os personagens se encontram, o filme frequentemente opta por atalhos emocionais.

Humor fácil e pouca urgência

O humor segue uma lógica semelhante. Devoradores de Estrelas aposta em um tom leve, quase de aventura familiar. Em alguns momentos isso funciona, muito por conta da forma como Gosling conduz o personagem.

Mas muitas das piadas são previsíveis.

É comum comparar esse tipo de humor com a chamada “fórmula Marvel”, mas mesmo dentro desse estilo o filme raramente alcança o nível de criatividade visto em produções como Guardiões da Galáxia, dirigido por James Gunn.

Outro ponto que pesa contra a experiência é a duração. Com cerca de duas horas e meia, a narrativa se estende além do necessário. A trama avança, mas sem grandes variações de ritmo, o que faz com que algumas sequências pareçam se repetir.

Para uma história sobre uma missão desesperada para salvar o Sol, o filme surpreende justamente pela falta de urgência.

Um universo visual pouco explorado

Nem tudo, no entanto, deixa de funcionar.

Há momentos em que o filme sugere o tipo de imaginação visual que essa história poderia ter alcançado. O exemplo mais evidente é a nave alienígena, cuja aparência estranha e quase industrial cria uma presença curiosa na tela. É um detalhe de design realmente interessante.

O problema é que o filme explora muito pouco esse potencial.

Para uma história que se passa majoritariamente no espaço e envolve o encontro entre duas civilizações, Devoradores de Estrelas raramente transforma seu universo visual em algo verdadeiramente memorável. A sensação que permanece é a de um enorme potencial pouco aproveitado.

Um final emocional… e excessivamente calculado

O desfecho também sofre com esse excesso de cálculo emocional.

O conflito que conduz o final é tratado com tanta insistência que acaba soando artificial. Em vários momentos, a sensação é de que o roteiro está empurrando o espectador para sentir exatamente aquilo que ele deseja provocar.

É um tipo de manipulação emocional que acaba tirando parte da força da conclusão.

Vale a pena?

Devoradores de Estrelas começa com uma ideia poderosa e cheia de possibilidades. Em diversos momentos, a aventura funciona e conta com um protagonista carismático no centro da história.

Ainda assim, fica a sensação de que havia ali espaço para algo muito mais surpreendente.

A premissa aponta para uma grande ficção científica. O filme, no entanto, prefere seguir por uma jornada confortável demais para alcançar todo o potencial que parecia prometer.

Devoradores de Estrelas estreia em IMAX em 19 de março.


emanoel.pereira

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