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O Agente Secreto: Um Pesadelo Onírico na Ditadura

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“O Agente Secreto” (2025), de Kleber Mendonça Filho, é um dos melhores filmes brasileiros do ano. Crítica completa do thriller onírico com Wagner Moura na ditadura de 1977.

O Agente Secreto: Crítica do Melhor Filme Brasileiro de 2025

De vez em quando aparece um filme que não parece feito, mas sim arrancado de um sonho febril. “O Agente Secreto”, novo longa de Kleber Mendonça Filho (“Aquário”, “Bacurau”), é exatamente isso: uma obra com personalidade forte, estilo visual único e ritmo hipnótico próprio.

Sinopse sem spoilers: o que você precisa saber

Brasil, 1977. No meio da ditadura militar, Marcelo (Wagner Moura) chega a Recife num Fusca amarelo. Ninguém diz em voz alta o que realmente está acontecendo. A violência é cotidiana, a paranoia é o ar que se respira e o passado familiar pesa como chumbo. O filme mistura drama psicológico, sátira política, espionagem descontraída e pesadelo surreal.

A sequência de abertura que já vale o filme inteiro

O filme começa com uma cena antológica num posto de gasolina decadente durante o Carnaval. Um cadáver coberto por papelão, moscas, cães farejando, policiais extorquindo “contribuição” e, de repente, “If You Leave Me Now” do Chicago explode no rádio. Em cinco minutos, Kleber estabelece o tom: absurdo, ameaça constante e melancolia profunda.

Wagner Moura no melhor papel da carreira

Marcelo é alto, barbudo, calmo por fora e destruído por dentro. Moura entrega uma atuação contida e devastadora — talvez a mais poderosa desde “Tropa de Elite”. É um protagonista que diz pouco, mas os olhos falam tudo.

Personagens secundários que roubam a cena

  • Dona Sebastiana (Tânia Maria): contato local, 77 anos, voz rouca, atravessa becos fumando como se desafiasse o mundo.
  • Agusto e Bobbi (Roney Villela e Gabriel Leone): dupla de matadores com dinâmica de pai e filho disfuncional.
  • Vilmar (Kaiony Venâncio): assassino anguloso, doente, desesperado — parece saído de um faroeste de Glauber Rocha.
  • Claudia (Hermila Guedes): vizinha que se apaixona à distância e vive com Marcelo um romance adulto e sem ilusão.

O que o filme diz sobre a ditadura (sem panfletar)

“O Agente Secreto” não explica a ditadura — ele faz você sentir o cheiro dela. Corrupção, desaparecimentos, assassinos de aluguel que trabalham tanto para o Estado quanto para o crime comum. A violência é tão banal que ninguém mais se choca.

A polêmica da perna no tubarão (e por que faz todo sentido)

Sim, tem uma perna decepada que é jogada ao mar embrulhada como assado, comida por um tubarão e depois… reaparece em stop-motion aterrorizando um parque. Parece loucura? É. Mas é uma metáfora perfeita: o regime é o predador invisível que devora e cospe os restos. E o menino Fernando ser obcecado por “Tubarão” amarra tudo.

Por que assisti três vezes (e você provavelmente vai querer fazer o mesmo)

A cada revisão o filme cresce. Camadas novas aparecem: detalhes de som, enquadramentos, subtextos nas conversas. O final, assombroso e inevitavelmente triste, é dos mais impactantes do cinema brasileiro recente.

Veredito final

“O Agente Secreto” é um dos melhores filmes de 2025 — brasileiro ou não. Kleber Mendonça Filho entrega sua obra mais ambiciosa, pessoal e perturbadora. Se você gosta de cinema que exige atenção, que não subestima o espectador e que deixa marcas, corra para ver.

Nota: 5/5 ★★★★★
Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho
Elenco: Wagner Moura, Tânia Maria, Gabriel Leone, Kaiony Venâncio, Hermila Guedes
Ano: 2025 | Gênero: Drama / Suspense / Sátira política
Onde assistir: cinemas (lançamento nacional em 2025)

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