A Netflix anunciou nesta sexta-feira (5) a aquisição da Warner Bros. Discovery por US$ 72 bilhões. O movimento é considerado estratégico para ampliar o domínio global da empresa e reforçar seu catálogo com algumas das franquias mais valiosas do entretenimento, como Game of Thrones, Harry Potter e The Last of Us.
A operação promete transformar o mercado de streaming. A HBO Max poderá ser incorporada ou fundida à Netflix, o que pode impactar os preços dos planos no futuro.
Impacto no catálogo
Com a compra, a Netflix passa a controlar a HBO e seu acervo de séries icônicas, incluindo The Sopranos, The White Lotus, Sex and the City, Euphoria e Succession. Além disso, assume os estúdios da Warner em Burbank, na Califórnia, e um vasto portfólio de filmes e produções televisivas, como Friends e a saga Harry Potter.
Entre os ativos mais relevantes estão:
- DC Comics: responsável por super-heróis como Batman, Superman e Liga da Justiça, com sucessos recentes como Coringa (2019) e Aquaman (2018).
- Looney Tunes e animações clássicas: personagens como Pernalonga, Patolino e Piu-Piu, além de franquias como Scooby-Doo, Flintstones, Jetsons, Tom e Jerry e produções da Lego.
- Filmes clássicos: títulos premiados como Casablanca (1942), 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), Um Sonho de Liberdade (1994), A Origem (2010) e Barbie (2023).
A Warner já conquistou mais de 100 Oscars e, em 2025, tornou-se o primeiro estúdio a lançar sete filmes consecutivos com bilheterias acima de US$ 40 milhões nos EUA.
Estrutura da operação
Antes da conclusão da venda, a Warner Bros. finalizará o spin-off da divisão de canais, que inclui CNN, TBS e TNT. Essa cisão deve ser concluída até o terceiro trimestre de 2026.
Nem todos os ativos entram no acordo: ficam de fora a divisão Global Networks, que reúne CNN, TNT Sports e Discovery, além dos serviços Discovery+ e Bleacher Report.
Reação do mercado
No pré-mercado em Nova York, as ações da Netflix caíram 2,3%, enquanto os papéis da Warner Bros. subiram cerca de 1%.
A aquisição marca a maior operação já realizada pela Netflix, que construiu sua liderança primeiro licenciando conteúdos de terceiros e depois investindo em produções originais.
Monopólio ou diversidade?
Especialistas descartam que a Netflix se torne um monopólio. O setor continua competitivo, com players como Amazon Prime Video, Disney+, Apple TV+ e YouTube.
Victor Hugo Brito, sócio do escritório BBL Advogados, afirma que “não há risco iminente de monopólio, pois a concentração seria mitigada pela diversidade de ofertas”.
Por outro lado, Juliana Sene Ikeda, do Campos Thomaz Advogados, alerta que a concentração pode reduzir a diversidade de conteúdos e encarecer planos no longo prazo. Ela destaca que a regulamentação dos streamings, em discussão no Congresso, pode mitigar esses riscos.
