Tem coragem Não Críticas,Críticas de Filmes,Filme em Destaque CRÍTICA — Uma batalha após a outra (2025)

CRÍTICA — Uma batalha após a outra (2025)

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Você já sentiu que o mundo virou uma sequência infinita de conflitos? Que todo dia é uma disputa nova — seja política, emocional ou simplesmente pra manter a sanidade? Pois é exatamente nesse clima que chega Uma Batalha Após a Outra, novo filme de Paul Thomas Anderson.

Baseado no livro Vineland, de Thomas Pynchon, o longa transforma uma história ambientada nos anos 80 em algo assustadoramente atual — mesmo sem mencionar expressões como extrema direita, MAGA ou Antifa. O filme fala de rebelião, de resistência e, acima de tudo, de humanidade.

E o mais impressionante? Enquanto trata de temas tão pesados, ele consegue ser dinâmico, divertido e emocionalmente marcante — daqueles que você termina pensando: “Tá, isso foi uma porrada… mas foi uma boa porrada.”


🎬 A história

O filme já começa como se fosse o final: ação, tensão e caos.

O grupo revolucionário French 75 invade uma base militar na fronteira entre México e Estados Unidos, liberta imigrantes detidos e faz os oficiais reféns.
No comando está Perfidia Beverly Hills (Teyana Taylor) — carismática, feroz e inesquecível. Ela enfrenta o comandante do local, Coronel Steven J. Lockjaw (Sean Penn), de um jeito que fere mais o ego dele do que a posição militar. A humilhação vira obsessão — e Penn transforma Lockjaw em um vilão tão perturbado quanto patético.

Enquanto isso, Perfidia lidera a resistência ao lado de Bob Ferguson (Leonardo DiCaprio). Os dois se envolvem e têm uma filha: Willa.

Corta para 16 anos depois.

Bob agora é pai solo e ainda luta pelo movimento, mas seu maior medo é perder Willa. Lockjaw, ainda obcecado, reinicia sua caça — e tudo se transforma em uma fuga desesperada. Bob acaba dependendo de Sensei Sergio (Benicio del Toro) — que é tão sábio quanto caótico — e ainda enfrenta um obstáculo muito humano: ele simplesmente esqueceu códigos e senhas fundamentais da operação.

Porque sim — até revolucionário tem memória fraca e estresse acumulado.


🎵 Estética, ritmo e trilha sonora

O filme tem uma energia constante — mesmo quando não há tiros ou perseguições, você sente que algo está prestes a explodir. PTA e o diretor de fotografia Michael Bauman usam movimento como linguagem: quase nada é estático.

A trilha de Jonny Greenwood merece um comentário à parte. Às vezes, é só uma tecla de piano repetida, criando uma sensação de alerta constante — como se o filme estivesse lembrando: “Ei, não relaxa ainda.”


🎭 Atuações

  • Leonardo DiCaprio entrega um dos trabalhos mais humanos da carreira: menos herói, mais pai tentando fazer o que é certo.
  • Chase Infiniti, como Willa, é uma revelação — e a conexão com DiCaprio é o coração do filme.
  • Teyana Taylor e Regina Hall entregam personagens fortes e completas.
  • Mas o destaque inesperado é Sean Penn — grotesco, assustador e caricato na medida certa. É o tipo de vilão que você odeia… mas não consegue ignorar.

🧠 Temas (sem spoiler)

Ao longo da narrativa, o filme se transforma em algo maior do que perseguições e revolta. Ele fala sobre memória — o que é lembrado, o que é apagado, e quem decide a versão oficial da história.

É impossível não relacionar com os debates atuais sobre censura, revisionismo histórico, supremacia e controle.


💬 Veredito

Uma Batalha Após a Outra é um filme potente. Ele faz pensar, mas também entretém. Vai agradar quem gosta de cinema político, quem ama ação, e especialmente quem procura histórias com alma.

No fundo, a mensagem que fica é:

A luta nunca acaba — mas isso não significa que estamos perdendo.
Significa apenas que vale a pena continuar.


🎬 Disponível nos cinemas e em breve no streaming.

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