Por isso, causou surpresa ver Transformers One se tornar um fracasso de bilheteria em 2024. O longa animado conquistou 89% de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes e impressionantes 98% de aprovação do público, números raros para a franquia. Ainda assim, o filme não conseguiu atrair espectadores suficientes para os cinemas.
E o problema pode ir muito além de um único filme: o desempenho abaixo do esperado de Transformers One pode ter colocado toda a franquia Transformers em risco.

O peso do legado de Michael Bay
Como fã de Transformers, é difícil não ter uma relação de amor e ódio com os filmes dirigidos por Michael Bay. Por um lado, eles ressuscitaram a marca nos cinemas e apresentaram conceitos visuais marcantes — e sim, todos concordamos que Bumblebee como Camaro é icônico.
Por outro, cada sequência foi recebida de forma cada vez pior, desgastando a reputação da franquia junto ao público geral. Esse desgaste acumulado acabou afetando diretamente Transformers One, que chegou aos cinemas já carregando o peso de anos de desconfiança.
Mesmo sendo considerado por muitos o melhor filme da franquia, o longa arrecadou apenas US$ 128,9 milhões, contra um orçamento estimado entre US$ 75 e US$ 147 milhões, números insuficientes para garantir sua continuidade.
Por que Transformers One é tão bom?
Se você ainda não assistiu a Transformers One — o que, sinceramente, é uma pena — vale entender por que ele se destaca tanto, inclusive quando comparado ao clássico Transformers: O Filme (1986).
O longa animado dos anos 80 é um marco cultural, com trilha sonora memorável (Stan Bush segue imbatível) e animação estilosa. No entanto, sua narrativa é simples e oferece pouco aprofundamento emocional, seguindo o modelo clássico de heróis e vilões unidimensionais.
Transformers One segue o caminho oposto. O filme se aprofunda na psicologia, na amizade e no conflito ideológico entre Optimus Prime e Megatron, explorando como diferenças aparentemente pequenas se transformam em uma ruptura irreversível. É um retrato trágico e maduro de uma amizade fadada ao colapso, com consequências que ecoam por milhões de anos.

Um filme para fãs de todas as gerações
A franquia Transformers sempre atravessou gerações, e Transformers One entende isso muito bem. O filme está repleto de referências à Geração 1, aos quadrinhos da Marvel e ao clássico de 1986, sem deixar de ser acessível para novos espectadores.
É uma produção que demonstra carinho genuíno pelo material original, com animação caprichada, elenco de vozes de peso e uma equipe criativa claramente apaixonada pelo universo dos Autobots e Decepticons.
Justamente por isso, o fracasso comercial do filme soa tão preocupante.

Bilheterias em queda e um futuro incerto
Antes de Transformers One, o título de menor bilheteria da franquia pertencia a Transformers: O Despertar das Feras. Agora, a tendência de retornos cada vez menores se tornou impossível de ignorar.
O longa animado parecia uma última grande aposta para revitalizar a marca: novo formato, nova abordagem narrativa e respeito aos fãs. Ainda assim, não foi suficiente para reconquistar o público casual, afastado após anos de filmes confusos, exagerados e mal recebidos.
Sequências que priorizaram explosões sem sentido, piadas constrangedoras e decisões narrativas questionáveis — como a exclusão de personagens importantes fora de cena — acabaram associando a marca Transformers a experiências cinematográficas frustrantes.

Uma franquia à beira do colapso
Se Michael Bay tivesse mantido o nível do primeiro Transformers em suas sequências, talvez Transformers One tivesse sido um sucesso estrondoso. Em vez disso, o longa acabou dependendo quase exclusivamente do apoio dos fãs mais dedicados.
O resultado é uma franquia que vive agora um de seus momentos mais sombrios. E se nem mesmo um filme animado elogiado, bem produzido e emocionalmente envolvente foi capaz de reverter esse cenário, o futuro dos Transformers nos cinemas se torna cada vez mais incerto.
No fim das contas, a franquia corre o risco de se tornar como Starscream: um espectro do passado, preso às glórias dos anos 80, esperando eternamente por uma chance de retomar seu lugar no topo.
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