Lançado em 2022, Blonde, de Andrew Dominik, dividiu público e crítica e permanece como um dos filmes mais controversos da década. Durante uma conversa no Festival de Cinema de Marraquexe com o produtor francês Ronald Chammah, o diretor confessou ainda não compreender a rejeição:
“Não entendo. Fiquei surpreso com a reação. É uma espécie de filme de terror, e acho que foi isso que as pessoas não esperavam. Mas eu gosto.”
Por que Blonde gerou tanta polêmica?
O longa é uma interpretação ficcional da vida e carreira de Marilyn Monroe, vivida por Ana de Armas. Desde o início, já era considerado controverso por sua classificação NC-17, que restringe a audiência. O filme inclui cenas gráficas de abuso sexual, o que levou muitos a considerá-lo exploratório e desumanizador em relação à atriz.
A recepção foi extremamente polarizada. Enquanto alguns críticos, como Chris Bumbray, elogiaram a ousadia da obra, reconhecendo-a como “uma das mais intensas e perturbadoras dos últimos anos”, outros a classificaram como excessivamente difícil de assistir. Apesar disso, Ana de Armas recebeu uma indicação ao Oscar por sua atuação, mas o filme também foi eleito “Pior Filme” no Golden Raspberry Awards, evidenciando sua natureza divisiva.
Brad Pitt e a “prisão do diretor”
Dominik também destacou a importância de Brad Pitt em sua carreira. O ator estrelou O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford e Killing Them Softly, além de produzir Blonde. Segundo o diretor, Pitt foi fundamental para que ele continuasse trabalhando:
“Brad é a razão pela qual eu trabalhei. É como se eu fizesse um filme e depois fosse colocado na cadeia. Então Brad chega ao conselho de liberdade condicional e diz: ‘Ele aprendeu a lição, vai fazer algo mais acessível desta vez.’ Ele me protege. Tenho muita sorte de ter essa amizade.”
O futuro de Andrew Dominik
O cineasta revelou que tem dois projetos distintos em andamento: um filme de temática religiosa ou espiritual e outro voltado para experimentações com inteligência artificial como ferramenta visual generativa. Segundo ele, as possibilidades são infinitas:
“Um é um filme muito cru, quase fora de foco, e o outro é completamente estilizado, que canibaliza outras imagens.”
