Tem coragem Não Críticas,Críticas de Filmes Crítica | Agente Zeta – ambição de franquia esbarra em uma narrativa que se perde no próprio jogo

O Agente Zeta, dirigido por Dani de la Torre, chega ao Prime Video como mais uma aposta no crescente catálogo de produções de espionagem do serviço. Seguindo a linha de títulos como Jack Ryan, Citadel e A Lista Terminal, o longa tenta posicionar Mario Casas como um novo rosto do gênero — algo próximo de uma versão ibero-americana de franquias como Jason Bourne ou James Bond.

E, pelo menos no começo… parece que vai dar certo.

Uma trama que começa com força

A história acompanha o agente Zeta, interpretado por Mario Casas, convocado pelo Centro Nacional de Inteligência após o assassinato simultâneo de quatro ex-oficiais espanhóis ao redor do mundo. As mortes não são aleatórias — todas estão ligadas à misteriosa Operação Ciénaga, uma missão realizada anos antes na Colômbia e que, claramente, nunca foi totalmente encerrada.

O problema é imediato: existe um quinto integrante… e ele está vivo.

A missão de Zeta é direta — encontrar esse sobrevivente antes que qualquer outra força o faça. Mas, como toda boa trama de espionagem, nada é tão simples quanto parece. Os relatórios são incompletos, os registros foram fragmentados e cada nova informação levanta mais dúvidas do que respostas.

Desde os primeiros minutos, o filme estabelece bem o clima de tensão. A abertura entrega ritmo, boas cenas de ação e até uma perseguição eficiente ambientada em uma favela no Rio de Janeiro, mostrando que o longa tem ambição visual e narrativa.

Mas essa boa impressão… não dura tanto quanto deveria.

Uma operação que vira um labirinto

À medida que Zeta avança, a Operação Ciénaga deixa de ser apenas um arquivo antigo e se transforma em um verdadeiro campo minado.

Cada contato reage com cautela.
Cada pista parece incompleta.
E cada silêncio… diz mais do que qualquer diálogo.

O protagonista percebe rapidamente que não está apenas caçando um alvo, mas reconstruindo um passado que foi cuidadosamente apagado. Só que essa reconstrução não acontece de forma orgânica — e é aí que o filme começa a tropeçar.

O roteiro passa a depender excessivamente de explicações.
São diálogos longos, expositivos, que tentam conectar os pontos… mas acabam quebrando o ritmo.

O que antes era tensão vira burocracia narrativa.

Alfa entra em cena e muda o jogo

Se a missão já parecia complicada, tudo muda com a chegada da agente Alfa, vivida por Mariela Garriga.

E aqui o filme acerta.

Alfa não é apenas um obstáculo — ela é uma força estratégica dentro da história. Alguém que conhece o terreno, antecipa movimentos e constantemente coloca Zeta em posição de desvantagem.

Quando ele chega… ela já esteve lá.
Quando ele tenta agir… ela já interferiu.

Essa dinâmica cria os momentos mais interessantes do filme, transformando a narrativa em um verdadeiro jogo de xadrez. Zeta deixa de agir com iniciativa e passa a reagir — algo que, dentro do universo da espionagem, é sempre desconfortável.

Existe até um momento chave em que ele precisa decidir entre seguir um rastro incerto ou mudar completamente sua estratégia para despistá-la. E essa tensão funciona.

O problema é que o roteiro não sustenta esse nível por muito tempo.

Entre ordens, política e decisões apressadas

Enquanto o confronto entre os dois agentes se intensifica, o Centro Nacional de Inteligência começa a impor limites cada vez mais rígidos.

A preocupação não é só com a missão…
é com as consequências políticas.

E isso adiciona uma camada interessante: Zeta precisa equilibrar obediência e improviso. Em alguns momentos ele segue ordens, em outros contorna… e às vezes simplesmente age antes de qualquer autorização.

Não por rebeldia.
Mas por necessidade.

Essa tensão até ajuda a manter o filme em movimento, mas não resolve seu principal problema: a estrutura.

Quando a narrativa perde o ritmo

Depois de um início forte, o filme entra em um longo bloco de reuniões, briefings e explicações. A ação diminui drasticamente e a história passa a avançar mais na fala do que na prática.

E isso pesa.

Quando o terceiro ato finalmente tenta retomar o ritmo, já falta tensão. As reviravoltas são previsíveis e o impacto emocional já não é o mesmo.

A sensação é clara: o filme começa como um thriller… e vira uma exposição.

Ambição alta, identidade fraca

“Agente Zeta” tem todos os elementos de um grande filme de espionagem:

  • conspirações internacionais
  • operações secretas
  • conflitos políticos
  • traições internas
  • e até um interesse romântico

Mas tudo isso soa… familiar demais.

A proposta de construir uma nova franquia é evidente, mas o filme não consegue criar uma identidade própria forte o suficiente para se destacar. A inspiração em clássicos do gênero é clara — o problema é que ele nunca realmente sai da sombra dessas referências.

Mario Casas entrega uma atuação sólida, segura, mas limitada pelo roteiro. Falta ao personagem um diferencial mais marcante, algo que o torne memorável dentro do gênero.

Vale a pena?

“Agente Zeta” não é um desastre — longe disso.

Ele tem boas cenas isoladas, uma premissa interessante e momentos de tensão que funcionam, principalmente quando Alfa está em cena.

Mas, no geral, é um filme que promete mais do que entrega.

A ambição de criar algo grande esbarra em uma execução que se perde no excesso de explicação e na falta de ousadia narrativa.

No fim, o que deveria ser um thriller eletrizante… acaba sendo apenas mais um capítulo genérico dentro de um gênero que já exige muito mais para se destacar.

Detalhes do Filme

Avaliação 6.5/10
Gênero Ação, Drama

Trailer / Vídeo

emanoel.pereira

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